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books #2: my selection | livros #2: as minhas escolhas


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1. Wanderland, 56 pages, Actes Sud (EN-FR)

If you are, or will be, in Paris until October 5, you can still have a look at the exhibition Wanderlust held by Hermès house around the theme of flânerie (the French word for the act of wandering and enjoying the city) and that comprises the work of several international artists. Later this year it will the turn of Turin, in Italy, and of China, in 2016. But the exhibit was also converted into a beautiful book, Wanderland, written by Bruno Gaudichon and illustrated by Emmanuel Pierre. As someone said, and I subscribe, it’s a sort of Alice in Wonderland meets Amélie Poulain meets Hermès.


Se por acaso está, ou estará, em Paris até dia 5 de outubro, saiba que ainda vai a tempo de ver a exposição “Wanderlust” que a casa Hermès montou em torno do tema flânerie (a palavra francesa para a arte de calcorrear uma cidade sem destino certo e pelo prazer da descoberta) com a colaboração de vários artistas internacionais. Depois, só em Turim, no final do ano, ou, já em 2016, na China. De todo o modo, a exposição foi convertida em livro, ou melhor num catálogo de 56 páginas, com textos de Bruno Gaudichon e ilustrações de Emmanuel Pierre. Como alguém escreveu a respeito, e eu subscrevo, é uma espécie de narrativa surrealista entre os universos de Alice no País das Maravilhas, da Amélie Poulain e, claro, da própria Hermès.

2. The Japanese Lover | O Amante Japonês, 328 pages, Círculo de Leitores (PT)

Latin American novels were part of my formation as a compulsive reader. The bestseller author Isabel Allende was no exception, but, I assume, I kept my distance from her latest books. Nevertheless I’m now somehow curious about The Japanese Lover since this multigenerational love story goes from San Francisco in the present-day to Poland and the United States during the Second World War.


Na minha juventude, leitor compulsivo, os romances dos surrealistas-românticos sul-americanos estiveram muito presentes. Incluíndo a chilena Isabel Allende, campeã de vendas, mas cujos últimos livros, assumo, me passaram ao lado. Estou contudo algo curioso sobre o mais recente dela, “O Amante Japonês”, por se tratar de uma estória de amor que transcende várias gerações e se desenrola entre São Francisco, no presente, e a Polónia e os Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial.

3. Portuguese Travel Cookbook | Viagens pelas Receitas de Portugal, 228 pages, Caminho das Palavras (PT-EN)

Nelson Carvalheiro is now based in Berlin and writes his awarded homonymous blog in English (he was distinguished as the best European Travel Blogger in 2013 and 2015) , but Portugal is still on his mind. The country and its food. Together with the photographer Emanuel Siracusa he has travelled more than five thousands kilometers and he has visited more than 300 cities and villages to accomplish this book. And since we, Portuguese, spend so much time on the table, the compilation of 250 recipes can be perfectly seen as an invitation to have a taste of Portugal.


Não o conheço pessoalmente, mas imagino que o blog de viagens que mantém em inglês (e que foi premiado, por duas vezes, em 2013 e 2015, como o melhor da Europa) tenha mudado a vida de Nelson Carvalheiro e tido algum peso na sua decisão de se mudar para Berlim. Mas não esqueceu Portugal. O seu último livro é precisamente um convite à descoberta do país através de 250 receitas. Para isso viajou mais de cinco mil quilómetros, segundo ouvi, e visitou mais de 300 cidades e vilas na companhia do fotógrafo Emanuel Siracusa. Pelo estômago se conquista o português — e o resto do mundo (o livro terá também versão em inglês).

4. Love x Style x Life, 272 pages, Spiegel & Grau (EN)

She’s got style, she’s got grace, she’s a winner. The French street style photographer, illustrator and writer Garance Doré is now a celebrity worldwide thanks to her successful online fashion diary (Doré is followed by millions on Instagram too) and seen as a style icon. She moved to New York when she was still dating Scott Schuman (The Sartorialist) but that is so yesterday. She claims that this book is not only a manifesto of style but also her sincere attempt to be a beautiful woman outside and inside. Men are allowed to read it.


Não sei se Tom Jones conhece a Garance Doré, mas o refrão “She’s got style, she’s got grace, she’s a winner” assenta-lhe que nem uma luva. A fotógrafa francesa de street style, que também se tornou uma respeitada ilustradora e autora, é agora reconhecida no mundo inteiro como um ícone de estilo graças ao seu site de moda (sendo seguida igualmente por milhões no Instagram). Anos atrás, quando ainda namorava o fotógrafo Scott Schuman (mais conhecido como The Sartorialist), trocou Paris por Nova Iorque, mas isso são águas passadas. O livro que só será lançado no final de outubro é um manifesto do que apregoa, mas, segundo ela, pretender ser também um testemunho da sua tentativa para ser uma mulher bonita por fora e por dentro. Os homens não perdem nada em ler.

5. Toiletpaper Book (volume II), 232 pages, Damiani Editore (EN)

Even if you do not recognize Maurizio Cattelan (Italian artist and art curator) or Pierpaolo Ferrari (Italian fashion and advertising photographer) as the mentors of Toiletpaper magazine, their images and illustrations should at least be familiar to you by now — they are regular contributors to publications as Purple, New York Magazine or Dazed & Confused and their satirical pop art work is printed on t-shirts, plates, mugs, trays, beach towels… Volume II is an anthology of the past five issues of that magazine and it’s much more than just another pretty coffee table book.


Se por esta altura os nomes dos italianos Maurizio Cattelan (artista e curador de arte) e Pierpaolo Ferrari (fotógrafo de moda e de publicidade) ainda não lhes dizem nada é porque têm andado distraídos em relação à irreverente revista Toiletpaper. Ainda assim, quero acreditar, já terão por certo tropeçado nalguma das suas fotos ou ilustrações — a marca registada do duo é uma espécie de pop art satírica que muito agrada a publicações como a Purple, a New York Magazine ou a Dazed & Confused, com quem colaboram, e que começa a ser reproduzida em t-shirts, tabuleiros, canecas, pratos e até toalhas de praia. Este volume II é uma boa oportunidade para quem perdeu as últimas cinco edições da revista, pois reúne as melhores imagens e fica bem em qualquer canto — da mesa da sala à casa de banho.

6. I’ll Never Write My Memoirs, 400 pages, Gallery Books (EN)

“I have been so copied by those people who have made fortunes that people assume I am that rich. But I did things for the excitement, the dare, the fact that it was new, not for the money, and too many times I was the first, not the beneficiary.” Grace Jones‘ biography, released in September, is true to her provocative essence and she spares no one: from her ex-partner, the famous photographer Jean-Paul Goude (Jones’ most iconic portraits are signed by him), to celebs like Madonna, Lady Gaga or Beyoncé. And yes, she cans — after all Jones was already gender-free a long time ago before it become such a big thing in fashion.


Grace Jones não tem papas na língua. Nem medo de se contradizer. O título da sua biografia, lançada em finais de setembro, brinca com a relutância inicial em entrar no mercado da escrita confessional. Deixou-se convencer em boa hora, porque o livro, como se previa, não defrauda todos aqueles que se habituaram a ver nela um certo jeito felino de ser que não se arruma em nenhum estereótipo. Afinal, esta foi a artista que, muito antes da moda do gender-free, revelou ter dentro de si um “sugar daddy” para proteger a sua feminilidade e não precisar de nenhum homem. Ainda assim, quem a lê agora não fica com dúvidas da sua mágoa em relação ao fotógrafo Jean-Paul Goude, ex-companheiro e autor das suas fotos mais expressivas, nem da opinião pouco lisonjeira que nutre por estrelas como Madonna, Lady Gaga ou Beyoncé. Não esperaríamos outra coisa dela, certo?

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