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bela vista: on the rocks | no topo da rocha


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Shame on me. It took me almost four years to come here… but I finally did it. I’m not alone though, since this Relais & Châteaux property hosts mostly people from abroad and is still unknown to a lot of stylish Portuguese — even those who claim that Algarve, on the Southern coast, has no secrets to them.

The surprise is even bigger when one realizes that the location is far from being obvious. I mean, don’t misunderstand me, but the truth is that Praia da Rocha, in Portimão, where Bela Vista Hotel & Spa is located, is not exactly an example of exquisite taste and outstanding architecture. Ironically, its sight, on the top of the rocks, by the sea, could hardly be a better one — so, yes, the view is actually great as is implied in its name.

A nice seascape always scores, of course, nevertheless, during my short stay (only two nights, but I have made the most of it; I really did) I was particularly impressed by the mundane lined-palm tree pool, surrounded by crispy white day beds and striped deckchairs, by the lavish communicating gardens and the interior design and the fine cuisine. A new chef, João Oliveira, is making his way at Vista Restaurant, using fresh local ingredients and updating Portuguese cooking techniques as part of a fine dining experience — I had the tasting menu Viagem paired with wines and I’m sure: he is one to watch.

On the other hand, the interiors draw our eye from the moment we step in. There is a chic Riviera feeling about Bela Vista — the white, yellow and navy stripes have something to do with it for sure. The bold color play is part of the charm created by Graça and Gracinha Viterbo, a mother and daughter team, but the fabrics, the patterns and even the intricate house plan make a statement. The main building, palace style, has belonged to a Portuguese family since 1918 and it was converted into a small hotel since 1934, but what we get now has little to do with that previous life. In 2011 the owner re-launched it, presenting 38 rooms and suites instead of the former 15, a modern annex and, later, the only L’Occitane Spa in Portugal.

And have I already mentioned that I had the most ravishing bathroom in my room? Believe me, it was (as you can see above).


A (re)abertura do Bela Vista Hotel & Spa, há quatro anos, não me passou ao lado, mas a oportunidade de ir, a trabalho ou por conta própria, acabou por nunca surgir. Eis senão quando, no verão de 2014, um grupo de franceses que sigo no Instagram, ligados à indústria da moda, ficou ali hospedado. Por dias a fio, as suas fotos da piscina exterior com cabanas brancas no topo e espreguiçadeiras às riscas a toda a volta sobressaíram no meu feed. Confesso: as imagens “estilosas”, além de inveja branca, reacenderam a minha curiosidade e trouxeram à tona um artigo do jornal norte-americano New York Times que, em 2012, tinha incluído o hotel numa hot list de 45 destinos a visitar.

Passado um ano, chegou (finalmente) a minha vez. Bastante frequentado por estrangeiros — sobretudo clientes fiéis da associação Relais & Châteaux, de que faz parte —, ele permanece uma surpresa para muitos portugueses. A maioria, mesmo os que dizem conhecer os segredos do Algarve, não imagina em plena praia da Rocha, em Portimão, algo deste nível.

Suprema ironia, a situação geográfica do Bela Vista, pese o facto de dividir a rua com vários atentados ao bom gosto, dificilmente poderia ser melhor: fica no topo de uma falésia sobranceira ao areal e ao mar, com acesso direto à praia. O panorama, a fazer jus ao nome, marca pontos, não o nego, mas o que realmente tornou a minha curta estada memorável (duas noites apenas, que tratei de aproveitar ao máximo, a começar pelo chuveiro de cinema na suite) foi a sua arquitetura, a decoração, o entardecer avistado do jardim, a nova proposta de cozinha e, como não, a cobiçada piscina.

As duas primeiras destacam-se logo à chegada. Quer o palacete construído em 1918, antiga residência convertida em hotel a partir de 1934, quer as Casas Azul e Branca foram, entre 2008 e 2011, cuidadosamente remodelados pelo arquiteto Carlos Pereira e pelas designers de interiores Graça e Gracinha Viterbo, que passaram de 15 acomodações para 38 quartos e suites e acrescentaram um anexo, onde mais tarde se veio a instalar também o spa L’Occitane — até ver, único em Portugal.

Gostei do compromisso entre o senhorial e o despojado, que convém à beira-mar, e do jogo ousado de cores, misturando sem medos amarelos, azuis, rosas e encarnados. Por outro lado estão muito presentes elementos como as riscas, que associo à Riviera, a par de quadricúlas pretas e brancas, dos tecidos de Alcobaça (que forram o piano de cauda e o elevador), dos capitonados ou dos azulejos.

Mas, desde março, o hotel assumiu um outro desafio: transformar o Vista Restaurant numa experiência de fine dining. Para levar a ideia avante foi fundamental a contratação de João Oliveira – muito jovem, mas traz consigo quatros anos na Casa da Calçada, outros tantos como subchef de Ricardo Costa no The Yeatman e, mais recente, uma passagem rápida pelo Vila Joya.

Sabor e textura, com bases portuguesas, são os dois pilares da sua cozinha, preferindo a frescura ao excesso de tempero e de informação — tenta não ir além dos três a quatro ingredientes por prato, não usa muitas ervas e retira o sal acrescentando intensidade com recurso a caldos e molhos. Provei o menu de degustação Viagem, um périplo pelo país que parte do Algarve, com os peixes e mariscos de Faro, Portimão e Sagres, passando depois por Setúbal, Castelo Branco para terminar no Marão e em Trás-os-Montes, com carnes como o borrego e o leitão.

O chef é para ficar debaixo de olho — vai dar o que falar, aposto. O hotel, esse é seguramente para repetir.

Words and photos by jms
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Bela Vista Hotel & Spa | Portugal
Av. Tomás Cabreira, Praia da Rocha, Portimão

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